Entrevista: Alexandre Bertoluci da Opinião Produtora

Alexandre Bertoluci é Coordenador de Produção do Bar Opinião e da Opinião Produtora. Qualquer gaúcho que curta rock conhece a tradicional casa de shows da Cidade Baixa. Na verdade, os tentáculos do mítico bar da José do Patrocínio vão muito além do bairro boêmio, em que também está situada a produtora, uma das principais do sul do país. Hoje a família de empreendimentos inclui também o Pepsi On Stage, destino certo de grandes espetáculos na Capital, o que, segundo Alexandre, tem aumentado a carga de trabalho significativamente. O Música se Aprende bateu um papo com o produtor sobre a trajetória pessoal dele, a rotina do Opinião, e as dificuldades e maravilhas de se trabalhar com produção de espetáculos. Confere aí!
MSA: Como você foi parar no Opinião? De que maneira se direcionou para a coordenação de produção?
ALEXANDRE: Um amigo meu trabalhava com o alemão (Alexandre Lopes) em um escritório de importação e exportação, ele ficou sabendo que o alemão ampliaria o Bar Opinião e necessitaria que alguém movimentasse a casa durante a semana, pois o Opinião abria somente nas sextas e sábados. Comecei a fazer eventos nas quintas-feiras, a maioria de formandos de universidades gaúchas. Em seguida fiz algumas festas, a coisa foi aumentando, até que veio o primeiro show, Edgard Scandurra (turnê do disco Amigos Invisíveis, de 1989), depois aquela tour do Fausto Fawcett e as Loiras, os Paralamas do Sucesso, e aí nunca mais paramos de fazer shows. Comecei sozinho, ralando muito, sem experiência alguma. Em seguida vieram algumas pessoas que davam ideias, uns trabalharam por algum tempo, mas foi quando veio o Diego que a produtora começou a ter cara de produtora, em seguida chegaram o Rodrigo e o Gabriel, o Alemão e o Magrão largaram tudo que faziam fora o bar e se atiraram de cabeça conosco, e foi mais ou menos assim que tudo começou.
MSA: O Rio Grande do Sul tem alguma característica específica que o produtor deve levar em conta?
ALEXANDRE: Não sei se característica, mas é que aqui pelo sul acontecem menos produções que no centro do país (Rio-SP), ou seja, não é toda hora que tem uma produção acontecendo. Hoje em dia temos duas casas para administrar (Opinião e Pepsi On Stage), isso por si só já nos dá um montante de trabalho bem grande, mas não são todos os produtores que têm esta oportunidade de trabalho, a coisa por aqui ainda está começando, há poucas casas de espetáculo…
MSA: O Opinião e a Opinião Produtora já trouxeram gente do naipe de Bob Dylan, Kiss, Metallica, Red Hot e Eric Clapton. Quais as principais dificuldades de se produzir eventos de grande porte? De que maneira se pode solucioná-las?
ALEXANDRE: Rush, Mark Knopfler, REM, Lenny Kravitz, Daiana Krall, Joss Stone, George Benson, Nora Jones, Jamie Cullum – alguns shows em estádio de futebol, outros em teatros, outros em nossas casas. Não existem dificuldades pontuais, e sim imprevistos em produção. É nessa hora que um produtor de eventos precisa ter habilidade e agilidade para poder tomar decisões acertadas, e isso só se conquista com o tempo.
MSA: Dentre todos os shows que produziste, qual foi o mais complicado? E o mais gratificante?
ALEXANDRE: Os mais complicados foram Kiss e Metallica, porque aconteceram no Jockey Club de Porto Alegre, um lugar nunca antes utilizado para eventos deste porte, muitas situações novas, inclusive matar formigas… O mais gratificante foi fazer o festival e Sanary, no sul da França, em 1998 e 1999.
MSA: Existe algum limite para as exigências dos artistas em relação a camarim, tratamento etc?
ALEXANDRE: Os artistas colocam suas necessidades, quando vamos contratar já sabemos das necessidades e exigências deles, não podemos reclamar, pois tudo está em contrato. É claro que alguns artistas nem dão atenção para nós, empresários e produtores, possuem uma postura um tanto quanto distante, não se misturando, mas para isso a gente nem dá bola.


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