5 discos que marcaram a década

Matérias 26 novembro 2009 | 83 comentários

Eles ditaram moda, resgataram sonoridades, reinventaram regras de mercado. Se não são os melhores, com certeza figuram entre eles. E mais importante, marcarão para sempre os anos 2000 – e por muito mais do que embalar festinhas e dores de cotovelo. Depois da lista que reuniu cinco gigantes da produção, o MSA apresenta cinco grandes discos da década:


Is This It, The Strokes (2001)

No seu lançamento, o debut dos Strokes foi chamado pela crítica de “salvação do rock”, “a melhor banda de rock desde os Rolling Stones”. A verdade é que Is This It é um grande disco de rock dos nova-iorquinos, com uma grande herança das bandas conterrâneas das décadas de 60 e 70, que aparece na produção do disco: rock clássico, sem muitos efeitos eletrônicos. A estética do “menos é mais” predomina neste que foi eleito o disco da década pelo semanário inglês NME.


Bloco do Eu Sozinho, Los Hermanos (2001)

Contrariando a expectativa de lançarem outra Anna Julia, os Hermanos criaram um álbum inusitado – e por isso mesmo feliz. Com letras melancólicas, tons de samba e uma quantia generosa do hardcore que marcou seu primeiro disco, Bloco do Eu Sozinho sacudiu o rock nacional acomodado na balada fácil, viciado em fórmulas comerciais. E com ele a banda carioca, atualmente em hiato em função dos projetos paralelos de Rodrigo Amarante e Marcelo Camelo, conquistou um público cativo. Comparável apenas à Legião Urbana, que reunia multidões ardorosas em estádios de futebol, os cariocas não tem fãs – mas seguidores.


Whatever People Say I Am, That’s What I’m Not, Arctic Monkeys (2005)

A auto-confiança presente no título se espalha pelas 13 faixas do disco de estréia do Arctic Monkeys. Em 2005, os britânicos reinjetaram na cultura pop inglesa (e mundial) a urgência do punk. Misturado a referências diversas, de Kinks a Smiths e Oasis, Whatever people say… resultou na amostra de como o indie rock podia soar agressivo e dançante nos anos 2000. A produção seca remete a Is This It, nas guitarras cortantes e na bateria marcada.


In Raibows, Radiohead (2007)

A sacada dos produtores de In Rainbows não está na sonoridade, que cada vez mais tece o rock com camadas eletrônicas ora densas, ora delicadas. Na verdade, o criticável em In Rainbows talvez seja a forma como a música do disco todo parece depender fortemente de truques de produção. Aguardado como todo disco do Radiohead tem que ser, In Rainbows inovou ao usar o download de mp3 ao seu favor. Disponibilizando o disco para todos, que podiam pagar o quanto achassem justo (inclusive nada), mostraram que nos dias de hoje os gigantes do rock precisam pensar bem mais que a música.


Back to Black, Amy Winehouse (2006)

Se na esfera pessoal a cantora britânica ficou fatalmente conhecida por resgatar os excessos dos ídolos do rock, com Back to Black ela conseguiu protagonizar um fenômeno muito mais interessante. O disco, incrivelmente maduro para os 23 anos que tinha à época do lançamento, levou o soul de volta às paradas musicais. Além da franca inspiração nos girl groups dos anos 1960, ela se diferenciou de suas contemporâneas com um vocal poderoso – do tipo raro que não precisa ser reconstruído com edição de áudio. Muito da bela produção deve ser atribuída ao trabalho de Mark Ronson, produtor nova-iorquino emergente, que nos últimos anos também trabalhou com Lily Allen e Kaiser Chiefs.

83 Responses on “5 discos que marcaram a década”

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